Por Talita – A Branca

“Ela havia esquecido o quanto de açúcar ele gostava no chá. Dois cubos, por favor. As mãos deslizam e alcançam a dele. Por um momento, o mexer do chá perde a volta, o movimento é interrompido pelo toque. A tontura momentânea, o fechar de olhos, e enfim o afastar da mão, feito com pesar. Um misto de amor e ressentimento.”
E desse modo acabam as semelhanças. Em uma única cena enxerguei Orgulho e Preconceito, e são os detalhes das mãos que fazem esta ligação. Do resto, o que posso dizer? Gostei, não amei, nem adorei, mas não há como não gostar de um filme que te toca, te faz chorar, e ter medo de repeti-lo por não querer sofrer da mesma angústia por uma segunda vez.
Desejo e reparação, do diretor Joe Wright, baseado na obra do escritor britânico Ian McEwan, é repleto de diálogos mudos. São olhares, gestos e cenas que te fazem entender o sofrimento de cada personagem. Seja por amor, ódio ou arrependimento. Aliás, “atonement”, o nome em inglês (com tradução para português de ‘reparação’ e, estupidamente, um ‘desejo’ acrescentado), é digno da palavra. Todo o filme é permeado por uma sensação de erro. Um erro infantil que causará danos drásticos ao futuro de pessoas queridas.
O filme pode ser dividido em três partes muito distintas. Infância, vida, e prólogo. Sendo que, no prólogo, temos revelações que mudam o rumo de toda a vida passada. Estas são as cenas reservadas às lágrimas. O impacto das verdades nos atinge e retira o sorriso momentâneo do rosto. É impossível prevê-las, de repente somos assombrados com a realidade dos fatos. A reparação chega tarde, mas nos deixa com a sensação de dever cumprido.
Angústia é o sentimento onipresente no decorrer do filme. Seja no início, com a incrível interpretação de Saoirse Ronan, a atriz americana de 13 anos com três filmes na carreira, que nos faz odiar a malícia e a ingenuidade infantil, ou mesmo no decorrer da história com Keira Knightley, ao contrário das emoções forçadas de filmes passados, ela se sai bem com os olhares inexpressivos e, principalmente, no “stay with me” da cena do café. A seqüência não-linear é outra curiosidade, uma mesma cena é mostrada de diferentes ângulos e visões, e com isso podemos perceber a realidade dos fatos, ao contrário dos personagens. Tal técnica é grande responsável pela angustia que sentimos ao saber do erro cometido e somente a nós revelado.
Ainda comparando-o a Orgulho e Preconceito, temos cenas longas, belíssimas e extremamente bem coreografadas, como a da praia de Dunkirk, que serviria de ponto de retirada das tropas britânicas, ou a dança da felicidade irreal do casal no fim da história. Aliás, a trilha sonora concorre ao Oscar. O som de teclas da máquina de escrever que nos conduz no desenrolar da trama, do qual se revela o sentido ao final, é brilhante. Nada seria tão merecedor do Oscar quanto um ruído que descreve a história de um livro.
Confiram também:
- Vencedores do Globo de Ouro 2008
- Filme de dirigido por Keanu Reeves consegue financiamento
- Indicados do OSCAR 2008
- Cena extra nos Vingadores nos EUA.
- Primeira cena de Harry Potter e as Relíqueas da Morte Pt. 2 [ATUALIZADO]












Me sinto angustiado toda vez que recordo de vc me contando.
Beijo
Toad