Eu sou a Lenda

Em muitos casos só se percebe o real talento de um ator quando ele tem a habilidade/capacidade de atuar sozinho, de levar o filme inteiro em sua atuação. Em Eu sou a Lenda, Will Smith prova que é hoje um dos atores mais versáteis de hollywood, depois de conselhos amorosos em Hitch, Eu, Robô, e a Procura da Felicidade, O Fresh Prince of Belair é agora o último homem vivo na terra, o que implica no drama de viver sem uma sociedade, sem companhia – salvo a cadela Sam – e como ele age para não enlouquecer.

Na história, Robert Neville(Will Smith) é aparentemente o único sobrevivente humano na terra após um apocalipse causado por uma gigantesca epidemia de um vírus – que inicialmente era uma cura para o câncer – causadora de mutações aos portadores. Imune ao vírus, ao longo dos anos ele passa a enviar mensagens de rádio para procurar sobreviventes.

O filme em seu início, mostra Neville sobrevivendo em um mundo pós apocalíptico, e aí que a parceria de Will Smith e do diretor Francis Lawrence se faz valer. As dificuldades de um ser humano sobreviver sozinho requer equilíbrio mental, que é demonstrado por Neville em suas tentativas de manter o pouco de civilidade que ainda lhe resta, como o momento em que ele visita a locadora povoada por manequins, em suas conversas com a carismática e companheira cadela Sam, e a rotina diária que tenta manter, entre exercícios físicos, jogo de golfe, e até mesmo em momentos de caça, tudo isso aliado às agoniantes e excelentes tomadas de cenas de uma Nova Iorque devastada pelo vírus, formam o clima ideal para o que o filme se propõe a ser em um primeiro nível – um Drama retocado por uma ficção como pano de fundo, e o clímax dessa minha classificação se prova na tocante cena de Will com a cadela no laboratório.

A melhor cena do filme é quando Neville está em uma caçada, e a cadela Sam em busca de um cervo, adentra um galpão fechado em total escuridão, possível habitat do humanos infectados – já que eles possuem aversão a luz do sol. A câmera que acompanha Neville, que está apenas com a luz da arma, faz o telespectador ficar apreensivo ao que possa surgir, e em uma inesperada passagem de luz, Neville vê o que parece ser o “ninho” dos mutantes, o que chega a causar temores. Porém quando há exploração da trama dos seres infectados, o filme cai de produção e desprende-se do principal foco. Mesmo com a chegada de Anna(Interpretada pela Brasileira Alice Braga) para tentar reinjetar uma carga drámatica(Que diga-se de passagem, fazer com que a personagem não conhecesse Bob Marley, apenas para lançar um discurso teatral é o fim!), a trama não consegue se recompor pois já foi muito longe na exploração dos mutantes, que aliás são muito mal-construídos digitalmente.

Quando tenta dar valor aos infectados Lawrence erra a mão, por “sem querer” fugir daquilo que o filme mostra ser durante os primeiros 50 minutos, um bom drama com pitadas de ficção, entretanto esses minutos são o suficiente para que o que virá não deturpe o filme como um todo, e há ainda a excelente atuação de Will Smith durante toda a película, que mostra mais uma vez que o mirrado Maluco no Pedaço é história, e que hoje ele figura entre os mais competentes e mais uma vez – versáteis atores de hollywood, são fatores que com com certeza fará você sair do cinema satisfeito.

Curiosidades:

- Eu sou a Lenda é uma adaptação do Romance de Michael Mathenson de 1954;

- O Romance já teve outras duas adaptações: Mortos que matam (The Last Man on Earth, 1964), A Última Esperança Sobre a Terra (The Omega Man, 1971);

- Em seu final de semana de estréia, Eu sou a Lenda faturou impressionantes 76,5 milhoes de dólares – o maior trabalho da carreira de Will Smith quebrou o recorde de estréia para um filme de dezembro que anteriormente pertencia a O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei;

- Will Smith veio ao Brasil(Rio de Janeiro) para divulgar o filme;

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