Consoles e Consolos
Este é um texto escrito por (um futuro colunista(!?)) Toad, um grande amigo nosso, quem tem um paladar afiado para música e temas sociais/cotidianos! No texto, Toad traça um paralelo entre seu crescimento e a linha evolutiva dos videogames, demosntrando que o videogame sempre foi uma forma de entretenimento como a tv, a boneca e a bola de futebol.
É rapaz, eis que me vejo com 25 anos e com um bando de moleque (meus amigos) me falando que eu estou com ¼ de século.
E o que eu poderia dizer, diante da verdade? Deveria é me calar.
Mas sabendo que isso é um tanto ou quanto inquietante, parei pra pensar. [Sim, ás vezes isso acontece.]
E, sabe… Até que não é tão ruim chegar a ¼ de século (mesmo com um professor sacana me chamando de Matheusalém)…
Me lembro até hoje como era bom assitir, mesmo que sem entender, a turma do Lambe-Lambe, que nada tinha a ver os atuais lambe-lambe que muitos usam para se expressar e tampar as placas de trânsito. O chamado pixo-miguxo. O grafite colável.
Ver o Papai Papudo perguntar: “Que horas são??” E logo responder: “Cinco e Sessenta”. Sem ainda ter idéia de que ele queria dizer que eram 06h00
Mas de toda minha infância, o que eu gostaria de citar aqui é da uma série, a mais legal que eu já vi.
Me lembro do primeiro episódio:
Meu pai chegava com duas sacolas. Cada uma tinha um embrulho. Um maior e outro menor.
Eu queria ver minha cara. Acho que ía ser igual a do menininho do Nintendo Sixth-FOOOUUURRR!! Era um Atari 2600 e 4 cartuchos, dois pra mim e dois para o meu irmão.
Meu irmão por ser mais velho, pode escolher quais jogos iria querer. Ele escolheu um que tinha River-Raid e Enduro no mesmo cartucho, trocava-se o jogo dando um borda de descida na chave reset (nossa, minhas aulas de técnicas digitais) e outro, com pac-man.
Eu peguei Hero e ET. Esse último aliás foi responsável por uma das minhas maiores frustrações enquanto criança. Fujam dele!!
Nos divertíamos tanto, meu irmão e eu. Brigávamos muito também. Me lembro que minha avó passou a jogar River Raid, e por causa dela, eu acho que esse jogo nunca tem fim. É um loop eterno.
Ela chegava a passar hoooras sem bater, viciada mesmo. E a gente ficava olhado, e babando na vó piloteira. Técnica Máster!
Bom, a série continua. Eu acho que eu tinha uns 7 ou 8 anos quando ganhei um Master System. Nooooossa, o controle tinha DOIS BOTÕES!! O que na época foi uma revolução.
Ele vinha com um jogo na memória (sim, tinha um jogo, dentro do console, acredita??) Era o joguinho do Didi, digo, do Alex Kidd no mundo do Milagre. (In Miracle World, que na época eu chamava de InmiráclëUôrrrde, assim, com vários “r” mesmo, caipira pois até então morava em Pirassununga).
Era uma febre. Literalmente. Cheguei a passar noites em febre por ter me acabado de jogar o dia-tarde-noite inteiros. Lembro de uma vez que me revirava na cama, com barulhinhos e cores e monstrinhos na imaginação, e ter levantado pra ir pra sala pra tentar dormir, e ao me aconchegar no sofá ter pensado: “Ah, melhor aqui…vale 3 pontos de bônus”
Mas eu adorava. E ficou fácil para meu pai (não monetariamente, mas em questão de escolha) saber o que ía dar de presente de aniversário-dia-das-crianças-natal. Essa época, criança só ganhava presente nesses dias, acredita?? Chamem a Unicef!!!
No episódio seguinte da série, pegamos-emprestado-e-demoramos-pra-devolver um Mega Drive. Minha nossa senhora do bigode loiro, como eu gostava de jogar Super-Volleyball, Mortal Kombat, Olimpíadas, Street Fighter, Boxe, Shinobi, MoonWalker e muitos outros títulos que iam me empolgando cada vez mais.
Mas nada, nada, absolutamente nada se compara ao capítulo seguinte: Era dia das crianças e eu tinha passado de ano, meu irmão não. Nessa época, ganhava-se presente por mérito (Siiim, já conseguiram contato com o Alex Kidd, digo, com o Didi, com o Ronaldo, com a Mônica??
E meu pai perguntou o que eu queria, poderia ser apenas um presente pra mim. E eu escolhi, pretenciosamente e totalmente sem esperança um Super Nintendo. Um presente para os dois.
Isso era meados de 1993 acho, já de volta a Guarulhos.
Eis que o velho resolve levar a gente para passear no shopping. Eu sabia que meu pai nunca teria $$ para comprar um SNES pra mim. Passeamos e passei em frente a uma vitrine de produtos eletrônicos e fiquei babando, claro. Meu pai levou a gente para comer então. Acho que era no Bobs do Poli Shopping , nem sei se esse shopping ainda existe. E falou que iria ao banheiro.
Quando voltou, já trazia o embrulho!!! Eu até perdi a fome, queria ir pra casa correndo.
O que eu mais queria era jogar Street Fighter II, que eu só jogava em fliperamas. Mal alcançava os botões. Lembro que ele veio com o jogo Copa do Brasil. Que depois em um acidente, acabou sendo trocado na locadora por Fifa 94 e deu o maior rolo.
Depois dele, meu irmão teve o Sega Saturno, que pra mim foi o tiro no pé da Sega. Jogos fracos. Pouca diversão era conseguida apenas com Daytona USA e Virtua Fighters acho.
Logo em seguida por muita insistência minha, ele comprou um Playstation. E a diversão é constante e foi então que a indústria do game teve sua revolução. Vieram os games para PC, que hoje só cabem em DVDs e precisam de placas de vídeo super potentes. E veio o Play2 e a continuação da saga de do vício de Winning Eleven.
Sei que isso tudo pode parecer normal, comum. Mas, aos meus olhos, tudo tem um glamour maior, uma certa mágica. Mais ou menos parecida com a mágica vista por quem escrevia cartas e hoje troca e-mails.
Como a mágica de quem se consola, ao console.
Toad escreve para o site Memoria Social


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