A explosão de um grito saudosista.

Foi um sábado de clima ameno, mas sentíamos desde cedo que sua noite iria ferver.

Cheguei ao estádio por volta das 15h com a Milla e encontrei sua irmã que já estava na fila.

Fila de show é sempre uma coisa divertida. Pessoas de todos os tipos, do Brasil todo e de fora dele também, se aglomeram e se divertem, pois apenas esperar é muito chato.

Vi moradores de rua bebendo cerveja importada de graça. Vi desde os metaleiros que fariam Shrek se sentir o Pinóquio até os metaleiros Poodle Posers. Vi pais de família levando sua prole para conhecer música de qualidade e senhores de idade que mostraram que a velhice é psicológica.

Entramos no estádio e corremos para a grade. Logo mais o Potter resolve dar o ar de sua graça.

Muitas fotos, piadas e espera depois vimos descer a bandeira do Black Label Society. Sim, o início real da concretização de um sonho estava acontecendo.

O show começa e eu como fã, gosto muito do som. O principal atrativo da banda é o virtuosismo (que realmente não me agrada em nada) do guitarrista , mas o conjunto da obra é uma ótima pedida. Zakk usa 4 guitarras diferentes, sendo duas delas usadas posteriormente no grande show da noite. Tocaram “Bleed For Me” , “Concrete Jungle”, “Stillborn” e outros sucessos que empolgaram quem era fã.

Foi uma Set list curta.

Para minha felicidade, consegui uma palheta do Zakk:

Começa então o show do Korn (e uma mudança de opinião).

Uma presença de palco impecável, casamento de baixo e bateria de deslocar pulmões e um som pesado para ninguém colocar defeito. Surpreendendo até quem era fã, a banda Korn agitou a galera e fez questão de mostrar a que veio, mudando totalmente meu conceito sobre a banda. Acredito que o Potter possa dizer o mesmo.

Dentre as músicas, tocaram Evolution e sua letra sensacional, uma versão reduzida e repaginada de “We Will Rock You” do Queen e fecharam com toda a porrada de “Blind”.

Alguns fãs mais ferrenhos e radicais podem não ter gostado.

A mim agradou muito.

Fim de show as luzes se apagam.

É chegado o grande momento. Quase 48 mil pessoas em um clima de ansiedade.

Ozzy ainda no backstage pega o microfone aberto e brinca com o público: “I wanna heeaar youuuu” (eu quero ouvir vocês).

Então começa um vídeo hilário no telão com várias sátiras e um Ozzy jovem, apesar da idade.

Vídeo hilário da abertura:

E ele entra no palco. Pulando, bateando palmas e agitando a galera que a esse momento já estava em transe. Ozzy começa mostrando a bunda para o câmera e mostrava uma empolgação infantil e cheia de disposição.

Tocaram clássicos do Black Sabbath e da carreira solo do Mr. Mad Man. Com músicas que datam a década de 70 e outras menos antigas, Ozzy levou á loucura fãs de todas as idades.

No meio do show, como se para dar um fôlego para o pai do Heavy Metal, Zakk Wylde se apresenta em um solo que só ele mesmo saberia fazer. O que impressionou foi que no meio do solo seus dedos começaram a sangrar. E mesmo com seu instrumento todo manchado de sangue o guitarrista não parou de tocar e assim foi até o término do show.

O público pediu por “No More Tears” e a exemplo do que foi feito no Rio de Janeiro, Ozzy atendeu aos pedidos.

Com um bis trazendo “Mama, I`m Coming Home” e “Paranoid”, Ozzy fechou um espetáculo histórico que realizou o sonho de muitos fãs, incluindo a mim. Se eu pudesse resumir tudo em um adjetivo, seria ETERNO.

A lista de músicas foi a seguinte:

1. “I don’t wanna stop”
2. “Bark at the moon”
3. “Suicide solution”
4. “Mr. Crowley”
5. “Not going away”
6. “War pigs”
7. “Road to nowhere”
9. “Crazy train”
10. “Iron man”
11. “I don’t know”
12. “No more tears”
13. “Here for you”
14. “I don’t want to change the world”

Bis:

15. “Mama, I’m coming home”
16. “Paranoid”

Vídeos durante o show, feitos por mim e por nosso amigo Yuri, que escreve para o Wonderlando e para o Susi não Anda Sozinha:

Iron Man

Mr. Crowley


Paranoid


No More Tears


FOTOS:

http://picasaweb.google.com.br/toadpunk

PS: Fica aqui uma homenagem da Milla a um amigo nosso que faleceu em um acidente de carro há alguns anos. Um ano mais novo que eu, Guilhermo foi um irmão pra mim. Compusemos e ouvíamos várias músicas juntos, tivemos uma banda, aprontávamos juntos. Foi o cara que mais gostava de Ozzy que eu já conheci na minha vida. Nós estávamos no show. Ele não.



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